Júlia sempre teve uma relação de carinho com o mundo animal, foi a forma de amor mais pura que já sentiu. Um amor que transpira fascínio, carinho e reciprocidade. Desde pequenina, Júlia tem uma relação gigantesca com a causa animal. A casa de sua avó era cercada desse mundo: canários, galinhas, cachorros, etc.

Dentre estes, um nome em especial me chamou a atenção pela carga nostálgica que despertou em minha entrevistada: Freddy. Um cão que veio como um dócil presente de uma querida tia que também já faleceu.

Quando fala de Freddy, Júlia se alegra e traz um lugar de inocência, como a pureza de uma criança feliz com o algodão-doce no parque de diversões. Uma sensação de paz toma conta do ambiente. Durante grande parte de sua infância e também parte da vida adulta, Freddy foi seu animal de apoio emocional. Animais de apoio emocional atuam para fornecer conforto, apoio e segurança emocional ao tutor. Ele era seu melhor amigo, a companhia que completava sua vida. Foi talvez a inspiração, o maior incentivo para Júlia cogitar cursar Medicina Veterinária. Em 2020 Freddy contraiu a doença do carrapato, em razão de sua idade avançada, e não resistiu. Lidar com isto incentivou Júlia a se interessar pela profissão.

E foi nos laboratórios do Instituto Federal de Brasília (IFB), onde Júlia já se encontrava matriculada desde o início de sua trajetória universitária, agora no curso de Design de Moda, que a marca Bee alternative (@beealternativee) deu seus primeiros suspiros. Fazendo escolhas sustentáveis, alternativas e veganas, ela usa em sua loja só materiais livres de sofrimento animal. O intuito social da marca é sempre pensar no impacto que seus produtos têm no meio ambiente, tentando ser o mais sustentável possível. Seus produtos utilizam o couro sintético como uma das suas principais matérias-primas para a confecção de suas gargantilhas, cintos e pulseiras. Tudo feito com muito amor e carinho. A marca também busca trabalhar não exclusivamente com peças novas. Peças usadas passam pelos processos de upcycling e rework. O upcycling consiste basicamente em dar um novo propósito a materiais que seriam descartados. E o rework é uma técnica de costura que permite que isso seja feito, transformando peças de roupas antigas em peças novas, sendo que elas sempre passam por um processo de curadoria antes de sua destinação para venda.

A Bee alternative cresceu. Seu público vem aumentado através de propagandas nas redes sociais e também seu alcance em feiras. Júlia, através de variadas formas de network faz uma rede de contatos ótima e começou a participar de eventos. Um desses eventos aconteceu no dia 15 de abril de 2023, um dos maiores eventos do nicho de moda reciclável/sustentável da região do distrito federal: o Ao Desapego – Festival de Brechós. Realizado pela C’Mon Produção Criativa e com o apoio do Birosca do Conic, um bar regional, esse é um evento já consolidado e que tem a missão de

espalhar uma moda sustentável, democrática, acessível e inclusiva. Júlia trabalha para que mais pessoas conheçam sua loja, seu propósito sustentável, verificado na abelhinha que caracteriza sua identidade visual. O feedback dos clientes é positivo: uma das clientes comenta que chegou tudo em perfeito estado em seu destino; a outra diz que Júlia foi super simpática na hora do atendimento; outra disse que amou a bolsa que comprou.

Júlia transformou sua paixão por animais em realização pessoal e profissional. Isto é nítido no conteúdo que publica na conta de sua loja nas redes sociais e ficou mais visível ainda quando a entrevistei. O que quase ninguém sabe é que ela convive com a visão monocular (Quando uma pessoa tem visão igual ou inferior a 20% em um dos olhos), um tipo de deficiência que não é tão falado ou conhecido pela a sociedade sem deficiência, o que muitas das vezes te protege do preconceito mais em muitas outras te coloca na maior enrascada como por exemplo para pegar a fila preferencial em qualquer lugar e normalmente enfrentar o olhar julgador de uma sociedade inteira, Talvez venha daí o amor de Júlia pelos animais, da forma como eles nos veem, como aquele algodão-doce no parque de diversões.

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2 Comentários

  1. Imidio Alves Vilela on

    Texto abrangente e interessante. Parabéns a você, linda e maravilhosa jornalista. Que Deus te ilumine sempre.

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