O portal EuFêmea tem como missão central destacar o protagonismo feminino, enfatizando a resiliência da mulher nordestina que persiste, resiste e coexiste em várias minorias sociais. Suas notícias são notáveis e possuem uma importância significativa para o universo feminino. Batizado a partir da palavra “eufemismo”, o portal busca incorporar leveza em seu significado, sendo pioneiro no jornalismo feito por mulheres e para mulheres no Nordeste. Isso proporciona ao público feminino uma representação autêntica por meio dos temas abordados, construindo uma audiência fiel que se apaixona pelo projeto e reconhece sua forte representatividade feminina.

Imagem do dia em que Vanessa foi ao show da banda mexicana RBD

Desde a estreia em 16 de maio de 2020, durante a pandemia, o EuFêmea conta com o apoio contínuo do Cada Minuto, que reproduz as matérias do portal e amplia a visibilidade dos assuntos abordados. A parceria entre EuFêmea e Cada Minuto resultou em um crescimento significativo, com matérias registrando aumento de visualizações e compartilhamentos nas redes sociais.

A linha editorial diversificada do EuFêmea destaca-se como um projeto inclusivo. O portal oferece espaço para mulheres com deficiência, mulheres trans, negras, indígenas, mães de santo, freiras, pastoras e empreendedoras. Um dos objetivos fundamentais é incentivar as mulheres na área da comunicação, demonstrando que elas podem ser donas do próprio negócio se assim desejarem. O EuFêmea persiste em reforçar a ideia de que o lugar da mulher é onde ela quiser, desafiando estereótipos e promovendo a igualdade de oportunidades.

Uma de suas leitoras assíduas, Vanessa, decidiu, depois de uma sessão de terapia psicológica, compartilhar suas vivências e experiências como mulher, alagoana, pessoa com deficiência e lésbica, transformando esse relato em uma espécie de diário. Essa decisão culminou em um desdobramento significativo, pois em 8 de janeiro de 2023, Vanessa foi anunciada como a mais nova colunista do portal. Suas publicações foram integradas ao time do site em 31 de janeiro de 2023, sendo a primeira delas intitulada “Qual foi a última vez que você fez coisas pela primeira vez?”.

Desde então, Vanessa tem explorado em suas publicações a temática da representatividade LGBT dentro da comunidade de pessoas com deficiência. Em seus textos, ela aborda a pressão social em relação ao tempo, compartilhando suas próprias experiências de se sentir culpada por não realizar as coisas no prazo esperado: “Com o tempo, eu estou aprendendo que fazer coisas no meu tempo não me torna atrasada ou diferente. E eu comecei a prestar atenção no quanto de coisas pela primeira vez eu fiz e o quão foi grandioso fazê-las. Acho que talvez eu não tivesse dado o devido valor se ela tivesse acontecido antes do tempo.”

A narrativa de Vanessa reflete seu processo contínuo de aprendizado e autodescoberta, oferecendo aos leitores insights valiosos sobre a importância de aceitar o ritmo individual na jornada da vida. Suas reflexões abrem espaço para uma discussão mais ampla sobre as expectativas sociais, destacando a compreensão de que cada indivíduo possui seu próprio tempo para alcançar suas realizações.

Em muitos de seus textos, Vanessa contextualiza suas experiências pessoais, abordando questões significativas. Em um desses textos, ela ressalta a necessidade de reconhecer os desafios persistentes em relação à representatividade das pessoas com deficiência (PCD) na comunidade LGBTQIAP+: “É importante que a comunidade LGBTQIAP+ seja inclusiva e acessível para todas as pessoas. Isso inclui promover a inclusão das pessoas com deficiência nos espaços LGBTQIAP+, apoiar e amplificar suas vozes e experiências, e garantir que suas necessidades sejam atendidas em termos de acessibilidade e igualdade de oportunidades. Torço para que os ativistas e defensores dos direitos LGBTQIAP+ e PCD trabalhem juntos para enfrentar essas questões e promover uma sociedade mais inclusiva e igualitária para todos.”

No âmbito do Instagram, Vanessa compartilha uma variedade de conteúdos, desde sua rotina até textos explicativos e educativos. Em uma publicação datada de 26 de outubro de 2022, ela aborda a aceitação de corpos atípicos, destacando sua própria jornada em relação à escoliose. Vanessa compartilha que por muito tempo sua escoliose foi fonte de insegurança, mas hoje ela a enxerga como uma curva bela em seu corpo: “Por muito tempo foi um motivo de insegurança. Hoje falo que é a curva mais linda que meu corpo tem. Meus braços e pernas finas, já os escondi muito por vergonha, principalmente as pernas. Me sentia péssima com o olhar de julgamento das pessoas. Minha boca e o formato do meu rosto. Até hoje leio comentários sobre isso. Meus seios pequenos também já me senti muito insegura quanto a isso. Vejo meu corpo com muito carinho e para terminar minha tatuagem da Frida uma mulher forte assim como eu tinha um corpo com deficiência.” Vanessa busca aumentar a visibilidade das questões enfrentadas por pessoas com deficiência na sociedade e nas esferas em que ela está inserida, em meio a uma representatividade ainda limitada na comunidade LGBTQIAP+.

Ela também procura incentivar sua audiência a experimentar coisas novas pela primeira vez, sempre respeitando o tempo individual, pois cada pessoa tem seu próprio ritmo. Ela questiona a notável invisibilidade de certas questões, especialmente aquelas em que ela mesma está inserida. Vanessa levanta o debate sobre a representatividade das pessoas com deficiência dentro da comunidade LGBT e em outras comunidades minoritárias, destacando que é um momento crucial para enfatizar a importância da igualdade, aceitação e respeito, independentemente da orientação sexual ou identidade de gênero.

Apesar de trabalhar há bastante tempo com redes sociais e de sua familiaridade com o preconceito, Vanessa tem enfrentado uma crescente onda de comentários capacitistas e homofóbicos desde que começou a compartilhar publicamente seu relacionamento.

“Oi desculpa perguntar mas eu tenho um filho especial, confesso tô chocada ela sabe manter relação sexual?”

Esses comentários, muitas vezes constrangedores e invasivos, são provenientes de indivíduos que frequentemente carecem de sensibilidade e noção de respeito ao se expressarem dessa forma em suas publicações.

Em uma dessas situações, Vanessa desabafa, ela compartilha a experiência de postar um vídeo em outra plataforma social com sua esposa, abordando seu relacionamento, e se depara com uma reação negativa: “Será que vai existir o dia que vou postar um conteúdo e não ser algo desse tipo de comentário? Como um vídeo que demonstra amor entre duas pessoas pode causar tanto preconceito? Eu tenho uma deficiência sim! mas eu sou uma pessoa. Uma pessoa que vive, que chora, que ri, que fica com raiva, que se relaciona. Apaguem essa ideia de que nós não podemos fazer nada.”

O portal que a acolheu prestou uma homenagem à Vanessa no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março de 2023. Ela foi convidada para uma entrevista sem roteiro prévio, sendo surpreendida por uma dinâmica do espelho. Essa dinâmica, baseada na ideia da reflexão, utiliza o espelho como um símbolo que nos mostra como somos vistos a partir de uma perspectiva externa. Essa experiência é valiosa para Vanessa e destaca a importância da autorreflexão e da compreensão de como nos posicionamos perante a sociedade.

A dinâmica do espelho opera da seguinte forma: O processo inicia-se com o mediador entregando ao participante uma caixa, instruindo que no fundo dela haverá a imagem de uma pessoa, e o participante deve compartilhar algo que possa alegrar o dia dessa pessoa. Contudo, para surpresa do participante, ao olhar no fundo da caixa mencionada, ele se depara com seu próprio reflexo em um espelho, desencadeando assim a mediação que consiste em fazer perguntas ao participante, todas formuladas em terceira pessoa, com o objetivo de estimular uma interação profunda.

Essa abordagem deixou Vanessa em um estado completo de estase, surpresa e emoção, fazendo com que ela se sentisse profundamente amada pela equipe e pelo veículo que deu espaço para suas reflexões. Abaixo, um pouco do diálogo entre Vanessa e a equipe, durante a dinâmica:

Equipe: “O que você diria para essa pessoa?”

Vanessa: “Eu diria para ela que às vezes […] ela já passou por muita coisa […] difícil, muitas pessoas já falaram para ela que ela não ia chegar onde ela chegou, que ela não merecia estar no lugar onde ela está e olhando essa pessoa hoje eu sei que ela merece muito o que ela tem e eu tenho muito orgulho de onde ela está, de tudo que ela faz, de onde ela conseguiu chegar, porque muita gente disse que ela devia parar, que a vida dela não valia tanto e até hoje falam isso para ela. Só que diariamente eu digo para ela que não desista, que ela é uma pessoa incrível e que todo mundo que fala isso para ela não sabe o que ela passa e eu não entendo porque as pessoas falam isso só pelo fato de ser ela.”

Equipe: “E você ama essa pessoa?

Vanessa: “MUITO! Às vezes não, mas no geral eu amo muito essa pessoa.”

Equipe: “E o que essa pessoa tem a oferecer para o mundo?”

Vanessa: “Essa pessoa pode oferecer força, coragem, resiliência e mostrar para outras pessoas iguais a ela que elas podem.”

Equipe: “E qual foi o momento mais especial que essa pessoa viveu?”

Vanessa: “O casamento dela, ela nunca imaginou que poderia viver esse momento.”

Equipe: “E as dificuldades que ela passou, qual foi a maior? A que mais doeu?”

Vanessa: “Eu acho que foi quando ela perdeu o irmão. Eu acho que foi o momento mais difícil. Eu acho que foi o momento mais difícil da vida dessa pessoa. Porque ele era uma pessoa igual a ela. Doeu muito, mas eu aprendi com o irmão desta pessoa que eu não devia parar, porque o irmão dizia muito isso pra ela, que ela era uma pessoa incrível.”

Equipe: “Quem é essa pessoa?”

Vanessa: “Eu.”

Na intensidade do momento, Vanessa viu-se refletida no espelho da sinceridade, onde as perguntas cuidadosas da equipe proporcionaram um mergulho profundo em sua própria história. O diálogo revelou não apenas as cicatrizes de suas lutas, mas também a resiliência que a tornou quem ela é hoje.

A equipe, ao indagar sobre o amor que ela nutre por essa pessoa no espelho, desvendou camadas de emoções que transitam entre altos e baixos, mas que, no geral, resultam em um amor genuíno e profundo. Vanessa compartilhou não apenas as dores, mas também os momentos de triunfo, destacando o casamento como um capítulo especial, uma conquista que ela jamais imaginou viver.

Essa experiência única ressalta a capacidade transformadora da autorreflexão e do amor próprio, destacando que, mesmo diante das adversidades, Vanessa encontrou força para continuar e oferecer ao mundo sua coragem, resiliência e a mensagem poderosa de que todos podem superar suas próprias batalhas.

A história de Vanessa, agora colunista do EuFêmea, é um testemunho inspirador de coragem, autenticidade e resiliência. Em meio aos desafios, ela compartilha suas experiências como mulher, alagoana, pessoa com deficiência e lésbica, desafiando estereótipos e promovendo uma discussão necessária sobre representatividade.

Ao trazer à tona a temática da representatividade LGBTQIAP+ dentro da comunidade de pessoas com deficiência, Vanessa não apenas compartilha suas vivências, mas também destaca lacunas significativas. Sua voz ressoa na defesa da inclusão e visibilidade, essenciais para uma sociedade verdadeiramente igualitária. Vanessa, ao expor sua vulnerabilidade e triunfos, lidera pelo exemplo, desafiando a narrativa predominante e inspirando outros a abraçar suas identidades com orgulho. Que sua jornada continue a iluminar o caminho para uma sociedade mais inclusiva, onde cada pessoa é celebrada por sua autenticidade.

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