O movimento

Algumas forças não se acomodam facilmente dentro das categorias já existentes.

Elas atravessam limites.

Questionam expectativas.

Desorganizam certezas.

O desejo costuma operar dessa forma.

O que escapa

Toda tentativa de classificação procura produzir estabilidade.

Procura organizar o que parece disperso.

Mas o desejo raramente permanece imóvel.

Ele muda.

Se desloca.

Contradiz previsões.

E, muitas vezes, segue caminhos que não haviam sido autorizados pelas narrativas disponíveis.

A incompatibilidade

Existe uma tensão constante entre aquilo que é esperado e aquilo que é desejado.

Nem sempre os dois ocupam o mesmo lugar.

Nem sempre caminham na mesma direção.

E é justamente nessa distância que surgem algumas das rupturas mais significativas.

O incômodo

O desejo costuma causar desconforto quando desafia leituras já consolidadas.

Quando se recusa a permanecer dentro dos limites que lhe foram atribuídos.

Quando insiste em existir apesar das expectativas construídas ao seu redor.

A transformação

Nenhuma ruptura acontece sem consequências.

Toda transformação exige algum deslocamento.

Alguma revisão.

Alguma mudança na forma como a realidade vinha sendo organizada até então.

O desejo frequentemente atua como uma dessas forças transformadoras.

O que permanece aberto

Talvez o desejo seja uma das expressões mais claras da impossibilidade de uma leitura definitiva.

Porque ele continua produzindo movimento onde havia estabilidade.

Continua produzindo perguntas onde existiam respostas prontas.

E continua lembrando que nenhuma narrativa consegue encerrar completamente aquilo que está vivo.

Enquanto houver desejo, continuará existindo a possibilidade de ruptura.

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