O que aparece
Grande parte das relações é construída a partir daquilo que pode ser observado.
Palavras são escutadas.
Gestos são percebidos.
Comportamentos são interpretados.
A partir disso, impressões começam a ser organizadas.
O que permanece oculto
Mas nem tudo aquilo que compõe uma experiência se torna visível.
Existem pensamentos que não encontram linguagem.
Existem dúvidas que não são compartilhadas.
Existem partes da existência que permanecem fora do campo de observação.
Não por escolha consciente.
Mas porque nem tudo se transforma em expressão.
Os limites da visibilidade
A visibilidade costuma ser tratada como sinônimo de conhecimento.
Como se aquilo que pode ser visto pudesse ser plenamente compreendido.
Mas ver não significa acessar todas as camadas de uma experiência.
Existe sempre algo que permanece além daquilo que se apresenta.
O território interno
Toda pessoa carrega dimensões que não são completamente compartilhadas.
Memórias.
Contradições.
Desejos.
Inseguranças.
Perguntas ainda sem resposta.
Aspectos que continuam existindo mesmo quando não são percebidos por ninguém.
O invisível
O invisível não é necessariamente ausência.
Muitas vezes é presença sem reconhecimento.
É aquilo que participa da experiência sem ocupar espaço na leitura produzida pelos outros.
O que permanece desconhecido
Talvez uma parte da condição humana esteja justamente aí.
Na existência de territórios que nunca serão completamente revelados.
Nem aos outros.
Nem, em alguns momentos, a si mesma.
E talvez seja essa dimensão invisível que impeça qualquer leitura de se tornar definitiva.
Porque sempre existe algo que continua além daquilo que foi compreendido.
