Os nomes

Toda sociedade produz categorias.

Cria definições.

Organiza grupos.

Estabelece formas de reconhecimento.

Os rótulos surgem como tentativas de ordenar aquilo que parece complexo demais para ser compreendido de uma só vez.

A função

Nem todo rótulo é necessariamente um problema.

Muitos ajudam a nomear experiências.

A construir pertencimento.

A criar referências compartilhadas.

Mas nenhuma categoria consegue esgotar aquilo que pretende descrever.

O excesso

O problema surge quando a definição ocupa o lugar da pessoa.

Quando a categoria passa a ser confundida com a totalidade.

Quando o nome deixa de funcionar como referência e passa a funcionar como limite.

O exercício

Imaginar a retirada dos rótulos não significa apagar histórias.

Nem apagar identidades.

Significa perguntar o que permanece quando as classificações deixam de ocupar o centro da leitura.

O que continua existindo quando a definição já não conduz o olhar.

O que permanece

Permanecem experiências.

Permanecem memórias.

Permanecem contradições.

Permanecem desejos.

Permanecem afetos.

Permanecem transformações.

Tudo aquilo que nunca coube integralmente em uma única palavra.

Além das definições

Talvez os rótulos sejam úteis enquanto ferramentas.

Mas insuficientes enquanto retratos completos.

Porque nenhum sujeito termina onde a categoria termina.

E aquilo que sobra para além dos nomes continua sendo parte fundamental daquilo que existe.

Talvez seja justamente ali que a complexidade encontra espaço para respirar.

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